VL Entrevista: Marcos Venturelli, um dos criadores de Dungeonland!

Marcos Venturelli

(arquivo pessoal)

Bem-vindo à primeira VL Entrevista, a série de entrevistas do Virtualidade Latente.

Hoje vamos conversar com Marcos Venturelli, um dos sócios do Studio Critical. O próximo lançamento do estúdio, Dungeonland, está programado para o fim desse ano, e o Beta testing já começou. Aos 25 anos, formado em Comunicação pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Venturelli entrou no mercado por esforço próprio. O desenvolvedor nos falou das dificuldades enfrentadas pelo desenvolvedor de jogos brasileiro, da falta de um espaço para discussão entre desenvolvedores e do perfil atual de um profissional da área que, segundo ele, ainda carece de uma formação profissional, marcas de um mercado ainda novo no país, mas em crescimento acelerado. Você pode seguir o desenvolvedor no Twitter, onde ele fala dos lançamentos da Critical.

Virtualidade Latente: Como você começou a trabalhar desenvolvendo jogos e como está sendo trabalhar no Brasil com esse mercado?

Marcos Venturelli: Eu trabalhava na área de TV e Cinema e comecei a desenvolver jogos por conta própria há uns 5 anos mais ou menos. Comprei vários livros, e procurei fazer jogos por conta própria e com outras pessoas. Nos juntávamos na minha casa nos finais de semana e fazíamos vários jogos porcaria para aprender. Trabalhar com jogos no Brasil tem sido um desafio. Todas as oportunidades que eu tive foram criadas por mim e pelas pessoas que me acompanham nessa jornada (principalmente meus quatro sócios que fundaram a Critical). Falta informação, falta uma “comunidade” de gente que realmente sabe o que está fazendo para trocar informações e a nossa imagem lá fora é um pouco ruim.

VL: Ruim como?

MV: Nossa imagem lá fora é meio nula, esse é o problema. Quer dizer, quando você vai lá fora e tenta vender um jogo pra alguém, a sensação que eles têm é de roleta russa. O que vocês já fizeram que eu conheça? Sua equipe é experiente? Nunca vi nada relevante do Brasil, o que acontece por lá?”. Quer dizer, não tem referência anterior nenhuma.

VL: Essa falta de referência se remete a o quê?

Imagine que você tem meio milhão de dólares na mão pra investir, e vê dois projetos idênticos, só que um sendo feito na Inglaterra e outro na Indonésia. Onde você bota o seu dinheiro? Parece preconceito, mas é uma questão de análise de risco. Quantas empresas estabelecidas existem no Brasil? Você tem um “pool” de profissionais experientes caso alguém saia ou a gente precise escalar a produção? Então quais são as chances de eu por acaso ter encontrado o único projeto bom nesse lugar? O que garante que essa empresa não vai acabar ano que vem? E por aí vai.

VL: Já que falamos de comunidade: temos uma associação, a Abragames, que supostamente faz o link entre os desenvolvedores brasileiros – ou, pelo menos, seues associados. Você acha que ela representa seus interesses ou que ainda falta muita coisa entrar na pauta deles?

Não somos associados da Abragames, então não sei comentar o quanto a informação gira lá dentro. De qualquer forma, a Abragames é uma associação, você tem que pagar para fazer parte. Minha opinião como observador do lado de fora é que não, não existe ainda uma “cena” forte de desenvolvimento no país, e não é responsabilidade da Abragames criar isso. Pelo contrário – se a gente dependesse de uma associação para trocar informações e fazer coisas relevantes, alguma coisa estaria errada. Não me parece ser o jeito certo de fazer as coisas, pelo menos.

“Falta muita mão-de-obra qualificada para a área no Brasil. Atualmente a oferta é sofrível”

VL: Por que isso acontece?

Os desenvolvedores brasileiros têm umas manias meio feias de secretismo e de competição entre si. Não sei dizer de onde veio isso, mas precisa acabar. Tirando provavelmente o pessoal do mercado de advergames, que deve concorrer por clientes, não imagino nenhuma razão aceitável para os desenvolvedores brasileiros não colaborarem nem se ajudarem o máximo possível. Todos se beneficiam de uma cena forte: empresários, profissionais, estudantes, acadêmicos etc.

VL: Você vê um interesse maior por parte das empresas no mercado brasileiro? A gente já tem a Blizzard e a Warner por aqui, por exemplo, mas está mais fácil encontrar quem publique ou distribua jogos no Brasil ou fica restrito às grandes empresas que chegaram agora?

MV: Sim, o interesse no Brasil está crescendo. Nos próximos anos a tendência é que cada vez mais olhos internacionais virem pro nosso lado, tanto como mercado de consumo quanto como possível “cena” de desenvolvimento. Se conseguirmos baixar os impostos sobre o consumo e principalmente sobre o desenvolvimento, podemos começar a ver um crescimento significativo dos dois mercados entre 2013-2016.

VL: Como você enxerga o profissional de jogos eletrônicos no Brasil? É um cara qualificado – com curso superior e algum curso de extensão, por exemplo – ou um típico “fuçador”, que está sempre buscando conhecimento “na marra”?

MV: Infelizmente não é nenhum dos dois. Em geral é um bunda-mole preguiçoso que entra em cursos fracos e espera entrar no mercado com uma varinha mágica. Nossos (raros) bons profissionais na maioria das vezes são “fuçadores”, como você disse, e normalmente têm espírito empreendedor e fazem as coisas na “marra”, seja sozinhos ou criando alguma empresa ou grupo. Falta muita mão-de-obra qualificada para a área no Brasil. Atualmente a oferta é sofrível. Metade do problema é cultural, as pessoas só procuram cursos e não estudam por fora. A segunda metade é a falta de uma “cena” forte, ou seja, não tem muita gente desenvolvendo profissionalmente, o que quer dizer menos vagas e pouca gente experiente que possa disseminar conhecimento ou ministrar esses cursos – que normalmente são dados por pessoas que não têm experiência profissional.

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