E o mercado brasileiro de jogos eletrônicos?

Segundo pesquisas da Newzoo, o Brasil conta hoje com 35 milhões de jogadores de jogos eletrônicos, desde videogames caseiros até jogos online. Esse número é até expressivo — em torno de 18% da população do país — se comparado com o crescimento de vendas de videogames do ano passado — 53% segundo a agência de pesquisa de GfK Consumer Choices — e a quantidade de empresas estrangeiras que apostam no país como mercado emergente. No entanto, é fácil se perder nesses números e esquecer que a indústria de jogos eletrônicos não existe apenas no plano dos consumidores: o Brasil é, hoje, um produtor de jogos também.

Em pequenos estúdios espalhados pelo país, desenvolvedores independentes cuidam de criar, divulgar e publicar seus próprios jogos. É o caso do estúdio Miniboss, com base em Campinas, que produziu o jogo “Out there, somewhere”, bem comentado pela mídia nacional de jogos eletrônicos. Além disso, o título anterior lançado pelo estúdio, Talbot’s Oddysey: part I, recebeu prêmios em diversos concursos brasileiros de desenvolvedores independentes.

Mas existem empresas que já lançam jogos lá fora, e estão se estabelecendo no mercado. A Critical Studios, com sede no Rio de Janeiro, está na reta final para o lançamento de “Dungeonland”, um jogo focado na cooperação, que já recebeu previews bastante positivos, tanto da mídia nacional, quanto lá fora. Marco Venturelli, um dos sócios, conta que a situação no Brasil ainda está começando a melhorar.

Você pode ler a entrevista completa com Marcos Venturelli aqui

— O interesse no Brasil está crescendo. Nos próximos anos a tendência é que cada vez mais olhos internacionais virem pro nosso lado, tanto como mercado de consumo quanto como mais olhos internacionais virem pro nosso lado, tanto como mercado de consumo quanto como uma possível “cena” de desenvolvimento. Se conseguirmos abaixar os impostos sobre o consumo e principalmente sobre o desenvolvimento, podemos começar a ver um crescimento significativo dos dois mercados entre 2013 e 2016 — revela Venturelli.

No entanto, o desenvolvedor também explica os desafios pelos quais um grupo que desenvolve jogos no Brasil passa. Entre os problemas apontados por Venturelli, a falta de profissionais e a imagem do Brasil para empresas de fora do país são os pontos mais críticos.

— Falta muita mão-de-obra qualificada para a área no Brasil. Atualmente a oferta é sofrível. Metade do problema é cultural, as pessoas só procuram cursos e não estudam por fora. A segunda metade é a falta de uma “cena” forte, ou seja, não tem muita gente desenvolvendo profissionalmente, o que quer dizer menos vagas e pouca gente experiente que possa disseminar conhecimento.

Além disso, Venturelli explicou que a imagem do país ainda causa incerteza em relação ao capital estrangeiro. Como o Brasil é ainda muito novo no mercado de desenvolvimento, uma empresa que publica ou distribui jogos eletrônicos não tem como saber se um estúdio brasileiro vai sobreviver pelos próximos anos, se vai finalizar o projeto ou se existe a possibilidade do produto ter sucesso nas vendas e cubrir seus custos de produção.

Além dos desenvolvedores independentes, o Brasil é conhecido por exportar profissionais para diversos setores de empresas estrangeiras, é o caso de Alex Bortoluzzi, nascido em Porto Alegre, que inciou sua carreira em 1997, após se formar em Ciência da Computação na PUC-RS. Em entrevista ao site “Eu, Android”, Bortoluzzi explicou que era difícil estudar qualquer coisa no campo da tecnologia por conta da própria realidade vivida no país.

— Eu comecei a trabalhar com computação gráfica muito cedo, para os padrões brasileiros. Minha primeira arte digital foi feita em quatro tons de verde, sem usar mouse, em 1986. Depois “importei” um Commodore Amiga em 1987 através de um comissário de bordo da Varig e comecei a trabalhar em 2D e 3D. O Brasil proibia o uso de computadores que não fossem produzidos no país até 1992. Ou seja, eu era um artista digital fora da lei — brincou o desenvolvedor.

Mas o país mudou muito nos últimos tempos. Presenciamos nos últimos anos a chegada de duas grandes empresas estrangeiras: a distribuidora global Warner Games e a produtora francesa Ubisoft, que desenvolveu uma das maiores franquias de sucesso da atualidade: Assasin’s Creed. O estúdio ainda engatinha no mercado, sendo responsável pelo mercado segmentado de jogos infanto-junveis — são títulos da série Imagine, feitos para pré-adolescentes entre 8 e 14 anos. Na época da criação do estúdio, inclusive, falava-se de expandir o projeto, criando franquias no Rio de Janeiro e em Porto Alegre. No entanto, esses planos não parecem estar se concretizando atualmente.

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