A Agenda 21 dos Seintsu – impressão sobre os primeiros episódios de Cavaleiros do Zodíaco Ômega

Cavaleiros do Zodíaco Ômega

Da esquerda pra direita: Haruto (abaixo), Éden (acima), Yuna, Kouga, Souma, Ryuho

A terceira geração dos Cavaleiros do Zodíaco (Seinto Seya) chegou à TV japonesa esse ano. O anime não é baseado em histórias publicadas previamente em mangás. Sendo assim, o conteúdo foi totalmente elaborado para a televisão. Inclusive, muitos dos personagens foram criados para esta série. Chama atenção o fato de que as ações do antagonista da animação, o deus Marte (Marusu), podem ser comparadas com a exploração dos recursos naturais pelo mundo capitalista provocando mudanças climáticas em diferentes regiões do planeta.

O anime conta a história dos novos Cavaleiros de bronze começando por Kouga, ainda bebê, que logo no início do primeiro episódio é protegido por Seya, já cavaleiro de ouro de Sargitário, de um ataque do deus Marte contra Saori Kido e a criança (acredito que Kouga seja filho de Seya com Saori). Após Seya derrotar Marte e aprisioná-lo, Saori leva Kouga para uma ilha para que treine e se torne cavaleiro. Athena faz isso se preparando para o retorno de Marte. Mas o garoto não deseja ser cavaleiro e não entende o porquê ele deve se tornar um. Por isso, Kouga não se dedica às lições passadas por sua mestra Shaina de Ofiúcio (Opyukusu no Shaina).

Quando Kouga tem treze anos, Marte volta a atacar e sequestra Athena praticamente ignorando a resistência de Shaina e de Kouga, que mesmo não tendo desenvolvido seus poderes explode pela primeira vez o cosmo lançando o Meteoro de Pégasus (Pegasasus Ryuseikken). Depois que Saori é raptada, Kouga decide iniciar uma jornada para resgatá-la. No meio do caminho, encontra Souma de Leão Menor (Raionetto no Souma), de 14 anos, e vai com ele até Palaestra onde jovens cavaleiros de bronze procuram elevar o cosmo e se tornarem mais poderosos (o que me fez lembrar de Hogwarts).

Em Palaestra, Kouga conhece a amazona Yuna de Áquila (Akuira no Yuna), que mostra todo o seu girl power e representa uma quebra de paradigmas da sociedade japonesa ao seguir a “lei de seu coração” e infringir o estatuto das amazonas de retirar a máscara, Ryuho de Dragão (Doragon no Ryuho), filho de Shiryu e Shunrei, e Haruto de Lobo (Hurufu no Haruto), o cavaleiro ninja (qualquer semelhança entre ele e um outro ninja que tem relação com uma raposa e nome parecido pode não ser mera coincidência). Kouga descobre que os cavaleiros agora também têm o poder de controlar os elementos fogo, água, ar, trovão, terra, escuridão e luz, que é o elemento do cavaleiro de Pégaso (isso me remete a outros animes como Pokémon e Avatar – a lenda de Aang).

Os diretores de Palaestra, então, se revelam servos de Marte e obrigam os estudantes a jurar lealdade ao novo mestre do Santuário sob a pena de serem presos. Marte usa Aria, uma garota com intenso cosmo de luz, como falsa Athena para legitimar o poder dele e construir um novo Santuário (Ah… o bom e velho golpe de estado). Kouga e seus amigos fogem de Palaestra e resgatam Ária com ajuda de Seyia. Depois disso, Kouga, Souma, Yuna, Haruto e Ryuho partem em uma jornada para destruir as construções que drenam o cosmo dos elementos causando mudanças climáticas onde estão localizadas. Cada uma delas é guardada por um cavaleiro de prata leal à Marte. Nesse ponto pode se fazer uma referência a situação que o planeta vive hoje em que a busca pelo poder e dominação (Marte) acaba consumindo os recursos naturais (cosmo) do planeta. Acaba sendo função dos seitsu cumprir uma espécie de Agenda 21 em que eles devem restaurar o equílibrio dos lugares afetados pela ganância de Marte. o cavaleiro de pégasus ainda tem tempo de fazer inimizade com Éden de Órion (Orion no Eden), filho de Marte e que eu desconfio tem uma queda pela Ária.

*seitsu – plural de seinto que significa santo em português. A versão francesa do anime recebeu o nome de Les Chevaliers du Zodiaque em vez do nome original, que seria em português Santo Seya, para não haver problema com o forte catolicismo existente no país europeu. A versão brasileira adotou o nome francês possivelmente pelo mesmo motivo

Mesmo com todas essas e outras referências e reflexões que podem retiradas do anime, vale lembrar que até agora só foram exibidos 23 episódios pela TV Asahi, canal que transmite os episódios. Vamos esperar o que os jovens cavaleiros tem para nos mostrar. Eu não pretendo perder nenhum episódio.

[Quer mais textos sobre cultura japonesa? Criamos a nova seção “Do Sol Nascente“, para as histórias vindas das terras orientais]

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