Trilogia Batman de Nolan foge da narrativa dos comics americanos e lembra a dos mangás

Página de Video Girl Ai, de Masakazu Katsura; Fã de Batman que, inclusive, fez um super-herói parecido: o Zetman.

Ok. Eu sei que já se passou bastante tempo desde o lançamento do último filme da trilogia Batman ”The Dark Knight Rises”, mas por isso mesmo me sinto mais à vontade ao saber que não serei spoiler pra ninguém. Mesmo assim, não vou falar dos filmes em si, mas, sim, o jeito que a trilogia foi contada.

Uma coisa que sempre me incomodou nos
quadrinhos americanos é a abertura para alteração das histórias da maior parte das revistas dos Estados Unidos. Quase sempre, são contadas determinadas partes da vida dos heróis alterando diversos aspectos da caracteristica dos personagens e criando diferentes versões a cada nova revista, animação ou filme. Isso dá a sensação de que os personagens como Superman, Mulher Maravilha, os X-Men ou o Batman são eternos, não envelhecem ou se aposentam. A explicação que as editoras encontraram para tantas diferentes versões? Universos paralelos, claro.

A trilogia de Batman, escrita e dirida por Christopher Nolan, tem um ciclo fechado característica presente na maioria dos mangás como em Dragon Ball Z quando se acompanha Goku desde recém-nascido passando por sua adolescência precoce (já com filho) e sua fase adulta. Além de no anime Dragon Ball GT Goku ser um vovô porradeiro. O ciclo composto por Batman Begins (início), The Dark Knight (meio) e The Dark Knight Rises (fim) mostra desde a origem do Cavaleiros das Trevas até sua aposentadoria ao lado da amada Selina Kyle/Mulher Gato. Nolan mostra ainda o começo de outro ciclo com Tim Drake, um dos personagens que foi Robin nos quadrinhos, se tornando Batman no lugar de Wayne, que havia sido considerado morto.

Conscientemente ou não, Nolan se utiliza de uma narrativa muito comum no Japão para contar histórias em quadrinhos. O roteirista inglês mistura diversas sagas publicadas as HQ’s para dar a Bruce Wayne uma historia com início, meio e fim assim como nos mangás e que eu, particularmente, gosto mais. Devido ao sucesso da trilogia de Batman, Nolan foi escalado para escrever o roteiro do novo filme do Superman, ”Man of Steel”, previsto para 2013.

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4 pensamentos sobre “Trilogia Batman de Nolan foge da narrativa dos comics americanos e lembra a dos mangás

  1. Alê, essa é uma análise bem bacana mesmo. A gente vê que existe uma crescente aproximação das narrativas ocidentais (com esses ciclos intermináveis e fillers) com a narrativa oriental (muito mais fechada em arcos que terminam). Mas é uma via de mão dupla também, a gente vive vendo exemplos de histórias orientais que se recusam a terminar *cof* Ranma *cof*.

  2. Então significa que teremos um filme contemporâneo decente do Superman!?
    Comentando de carona, legal o comentário do Daniel sobre as diferenças de narrativa. Única coisa que deixaram ali de ponta visível (e eu gostei) foi sobre o Robin, afinal, mesmo orientalizando, ainda é Hollywood

    • É Renato, o Robin é uma figura que nunca se encaixou bem na onda do Cavaleiro das Trevas, e o Nolan conseguiu articular o personagem direitinho dentro da trama. Só não sei se o Homem de Ferro vai ter uma presença tão forte nesses arcos fechados. Vamos esperar pra ver.

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