Formas narrativas diferentes: fazendo o simples ficar sensacional desde 1994

No meu primeiro post eu falei sobre a diferença que uma boa história faz em um jogo. Mas, além do conteúdo, o formato em que a narrativa é apresentada também proporciona um sabor especial para quem está jogando. Essa semana finalizei pela segunda vez o meu jogo de RPG favorito: “The Legend of Dragoon” (1999). O jogo foi uma tentativa (bem sucedida na minha opinião) da Sony de competir com o sucesso que a Square Enix fazia com os jogos da série “Final Fantasy”.

A apresentação da história de “The Legend of Dragoon” (TLoD) não era muito diferente da dos outros RPG’s da época, que consistia em cenas normais, e outras em CG nas partes mais importantes e críticas da narrativa. Os CG’s de TLoD eram muito bem feitos e contavam com dublagem para seus personagens. A única coisa diferente é o final. Após vencer o último chefe, o jogador se depara com mais um lindo CG. Logo depois, uma sucessão de cenas em gráficos normais do jogo, porém sem falas, mostra ao jogador o que aconteceu com cada personagem após a batalha final. É uma apresentação bonita e um tanto emocionante que só entende mesmo quem percorreu todos os 4 cd’s para chegar até ali.

Com aquele sentimento de órfão que surge sempre ao fim de um bom jogo, ou de um bom livro, fui atrás de um RPG que nunca tinha jogado, mas que sempre me foi muito bem recomendado por um amigo: “Final Fantasy VI”. Essa versão da série de maior sucesso da Square Enix foi lançada em 1994 e marca o final da primeira geração de FF’s. Com gráficos bastante simples comparados aos de TLoD (que em relação aos de hoje em dia também podem ser considerados muito simples)  o jogo se inicia com um texto explicando o que estava acontecendo com o mundo e, em seguida, o jogador controla um grupo composto por uma menina de cabelos verdes e 2 guardas.

Até aí nada muito surpreendente. Porém logo depois dessa missão percebi que a história é apresentada de um modo diferente do que eu já havia visto anteriormente. A cada primeira vez que um dos personagens jogáveis aparece, o fundo fica todo preto, o personagem em questão se destaca, e embaixo aparece uma apresentação rápida dele. Após isso, aparece a tela com o nome do personagem e a opção de renomeá-lo.

Jogando um pouco mais, me deparo com uma cena inusitada. No meio de uma batalha, dois dos três membros do grupo ficam surpresos com as habilidades da menina de cabelos verdes, que a essa altura já sabemos que se chama Terra. Os dois se afastam um pouquinho da posição de luta, como se estivessem indo cochichar num canto, e começam a conversar sobre aquilo. Além da conversa ser muito divertida, o fato dela acontecer na tela de batalha torna a cena ainda mais engraçada.

Apenas um pouco mais à frente, devido a certos acontecimentos, há uma divisão em três grupos, e ao jogador é dada a opção de qual grupo ele quer acompanhar primeiro. Nessa hora, aparece um moogle que serve como uma espécie de narrador e faz perguntas dignas de um cliffhanger: “Será que Edgar conseguirá escoltar Terra com segurança? E como Locke estará se saindo com sua missão? E o que terá acontecido com Sabin após ter se jogado ao mar e perdido o rumo?”. E então o jogador escolhe qual das três partes jogar primeiro.

Esses são só alguns dos elementos que consegui perceber na narrativa de “Final Fantasy VI” e que me fizeram ficar ainda mais interessado do que eu já estava nesse jogo. Apesar de não possuir gráficos quase perfeitos, o jogo se torna altamente atrativo, mesmo para a nova geração acostumada com gráficos de última geração – como “Uncharted” e “Skyrim” –  graças à sua narrativa diferente tanto em conteúdo quanto em forma.

Que surpresas ainda me esperam em “Final Fantasy VI”? Será que Terra vai pintar o cabelo de azul? Ou nossos heróis vão se cansar no meio da batalha, acender uma fogueira, e convidar os inimigos para um chá? Pra ter a resposta dessa e de outras perguntas só jogando, ou acompanhando o Virtualidade Latente.

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Um pensamento sobre “Formas narrativas diferentes: fazendo o simples ficar sensacional desde 1994

  1. Final Fantasy VI é o jogo que, se trinta fãs de FF com seus gostos individuais discutissem, provavelmente fariam um brinde ao citar Terra e cia. Particularmente, não é meu favorito, mas admito que é ótimo acerta em quase tudo, só peca por ser fácil demais.

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