Comendo pizza e falando besteira em Knights of Pen & Paper:

Quem já jogou RPG alguma vez deve se lembrar do clima descontraído quando os dados estão rolando. Kinghts of Pen & Paper, da Behold Studios, faz justamente isso. A Behold é mais uma daquelas desenvolvedoras nacionais independentes de jogos, que estão crescendo bastante no país nos últimos anos. É muito bacana ver que estamos produzindo jogos de qualidade, especialmente com elementos culturais que são, no fim das contas, muito próprios do jogador brasileiro.

Sabe, tem duas coisas que fazem um bom jogo móvel: uma mecânica simples de aprender e uma série de objetivos de curto prazo. Essas duas características são necessárias pois, na maioria das vezes, o jogador estará em movimento ou num intervalo de tempo pequeno (esperando um ônibus, dentro do metrô, no consultório médico etc). Kinghts of Pen & Paper faz justamente isso. No jogo, você controla o mestre e os jogadores da mesa. Controlando o mestre, você decide os desafios que os jogadores enfrentarão, com uma interface muito bacana de montar batalhas. Já no controle dos jogadores, a coisa se desenrola de forma muito parecida com os bons e velhos RPGs japoneses, com combates em turnos que emulam várias mecânicas presentes nos RPGs de mesa. Por exemplo, os jogadores e monstros rolam iniciativa para decidir a ordem de quem vai atacar primeiro.

O jogo mantém um clima bastante descontraído, fazendo gracinha com vários aspectos da mecânica: desde a criação dos jogadores – onde você pode, entre várias opção engraçadas, chamar o entregador de pizza pra jogar – até os personagens que aparecem nas quests – versões caricatas de clichês do gênero. Certamente, uma coisa que não falta nesse jogo é bom humor e referências da cultura pop. Eu, até agora, já encontrei referências à Scott Pilgrim, Journey e Star Wars, só pra citar algumas.

Enfim, vale sim dar uma olhada nessa produção nacional. Só espero que não apareçam mais desses tão cedo, fico tanto tempo jogando que acabo não postando aqui!

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Formas narrativas diferentes: fazendo o simples ficar sensacional desde 1994

No meu primeiro post eu falei sobre a diferença que uma boa história faz em um jogo. Mas, além do conteúdo, o formato em que a narrativa é apresentada também proporciona um sabor especial para quem está jogando. Essa semana finalizei pela segunda vez o meu jogo de RPG favorito: “The Legend of Dragoon” (1999). O jogo foi uma tentativa (bem sucedida na minha opinião) da Sony de competir com o sucesso que a Square Enix fazia com os jogos da série “Final Fantasy”. Continuar lendo

Zumbis, amor, e a diferença que uma boa história faz

Diante de tantas características que um gamer pode priorizar na hora de escolher em quais jogos investir seu rico dinheirinho, a minha eterna busca é por uma boa história. O game pode ser muito divertido, ter perfeição estética, mas se a história não encaixar, é decepção na certa, unida com aquele sentimento de dinheiro e tempo jogados fora.

As empresas que desenvolvem jogos em flash descobriram o poder que boas histórias têm de conceder um diferencial a seus produtos, escapando de estilos repetitivos como o “Tower Defense”. Um exemplo é o game “I saw her standing there”, do estúdio krangGAMES e publicado pela MyPlayYard.

Munido de gráficos extremamente simples, o game apresenta a história de um homem que se apaixona a primeira vista por uma mulher, mas quando se aproxima descobre que ela é um zumbi. São cerca de 5 minutos que fazem o jogador ajudar o personagem a passar por uma série de dificuldades em busca de seu amor, mesmo sem ter a certeza que essa relação dará certo.

Se você teve um daqueles dias entediantes e desanimadores em que nada de interessante aconteceu, tire 5 minutos do seu tempo para conferir e se inspirar com o fim dessa história em I Saw Her Standing There.

[Dêem boas vindas ao Danilo Rezende, que se une ao blog para escrever sobre bons jogos, daqueles que trazem histórias e sensações diferentes, que nos fazem sair do lugar comum. Enquanto pensa nisso, porque não checa nossos perfis na barra ao lado? ]

Miasma, no Desura

Testei o demo de Miasma essa semana. Existem, como em qualquer jogo independente, alguns errinhos aqui e ali. O combate poderia ser mais fluido, alguns comandos menos truncados etc. No entanto, é um jogo de estratégia por turnos no melhor estilo Final Fantasy Tactics – o que me faz pensar que valeria um novo tactics mais ou menos assim – e Tactics Ogre. Eu, pessoalmente, curto bastante o estilo, e gostei bastante do sistema.

Apesar da história ter pouco potencial – nada muito novo, na verdade – pode acabar vingando. O jogo está disponível na plataforma independente de publicação Desura, à 6 reais e uns quebrados. Vale baixar o demo e descobrir do que se trata, mas amantes do gênero podem encontrar uma boa dose de TBS (Turn-Based Strategy) aqui. Aliás, bom lembrar que tem uma boa trilha sonora, que gruda na cabeça e não cansa (muito importante em jogos desse tipo).

Digital: A Love Story. Histórias de amor combinam com jogos eletrônicos?

Utilizando a linguagem do “usuário de computador em uma máquina antiga”, a desenvolvedora independente Christine Love criou há dois anos essa história, que se desenvolve de forma epistolar por emails e pelos extintos Bulletin Board Systems (BBSs). Além dessa maneira bastante incomum de contar essa história, a autora lança mão do meio para fazer uma homenagem às antigas estruturas que formavam a atual internet, com direito a barulho de modems dial-up e contagem de HD na casa dos kilobytes. O aspecto é visivelmente inspirado nos computadores Macintosh de outrora, e existe uma representação interessante do protagonista, sem uma imagem ou personalidade muito bem definidas.

No entanto, esse protagonista é tão ambíguo que acaba revelando-se uma faca de dois gumes: por um lado, garante que o jogador mantenha-se sempre em contato com seu avatar, sentindo-se parte da história, por outro lado, descamba para uma interação pobre, prejudicada pela mecânica de respostas pré-determinadas invisíveis para o jogador. É um ponto negativo que prejudica a narrativa, mas não impede que você aproveite a história – que é curta, aliás – e entre em uma estranha aventura no ano de 1988.

Esse jogo é gratuito, e você pode encontrar mais detalhes sobre o desenvolvimento dele e sobre outras obras da autora no blog dela.

Você pode invadir computadores em Uplink, isso não é demais?

Acho que todo mundo já teve a fantasia de invadir sistemas. Hoje, além de facilitadores grandes – como a presença de ótimas fontes de informação por toda a rede – você tem o mundo dos jogos eletrônicos para te ajudar. Uplink (disponível para Mac e PC) é um jogo antigo, mas ainda impressiona. Nele, você é um hacker, acessando um Gateway em determinado ponto do mundo, traçando caminhos por servidores, invadindo computadores, roubando informações, alterando dados e, basicamente, tornando a vida digital um grande inferno para todo mundo. É muito divertido.

E para esquentar um pouco esse post, já tem uma versão para iPad, o que é legal pra quem tem o tablet da Apple.

E, para compensar meu desaparecimento nas últimas semanas, fiquem com essa ótima faixa do Sounds from Abyss, que acredito ter sido inspirado na trilha de Uplink, mas posso estar redondamente enganado.

Nem tão humilde assim

O Humble Indie Bundle teve edições maravilhosas, contando com jogos excelentes ao longo dos anos. Mas esse ano a coisa ficou séria. O Bundle desse ano conta com Bastion, que sabe contar uma boa história; Amnesia, que dá sustos e calafrios em muito marmanjo por aí; Limbo, que cheira a arte; Sword & Sorcery e Psychonauts, ambos eu não joguei ainda mas tem propostas interessantes.

Como sempre, você pode pagar o quanto quiser pelos jogos, que totalizariam 110 dólares ao todo, se comprados separados. E o vídeo é genial também, né?