Existem vantagens em criar jogos para a web?

Certo, este post vai ser um pouco sobre desenvolver jogos. Por quê? Oras, todo o jogador no fundo gostaria de fazer seu próprio jogo, assim como todo o cinéfilo no fundo queria ser cineasta. Portanto, vamos entrar em um campo levemente fora da minha zona de conforto e falar um pouco sobre desenvolver jogos na web.

No vídeo acima, você pode assistir uma interessante palestra do Paul Bakaus, um proeminente desenvolvedor web que criou o jQuery UI. jqUI é um conjunto de ferramentas de usabilidade para desenvolver sites. Durante a palestra, Bakaus ensina um pouco do que ele aprendeu desenvolvendo sua engine para criar jogos usando HTML5, CSS3 e Javascript – um monte de linguagens de programação e estilo que usamos hoje para criar sites maneiros que só funcionam nos navegadores mais avançados da internet. Mas será que realmente queremos jogos para a web? Continuar lendo

The Silent History: Como usar o espaço urbano para contar histórias

Existem muitas maneiras de contar histórias hoje em dia. No entanto, o que são histórias se não momentos e fragmentos de nossas vidas que cortamos e formatamos para apresentar aos nossos ouvintes? Contar histórias é vivenciar e repassar experiências. Mas, e se você pudesse visitar determinado lugar que serviu de inspiração para um contador de histórias? E se a única maneira de experimentar essa história fosse indo até essa fonte de inspiração? Ainda bem que, com a tecnologia de localização global dos smartphones de hoje isso é possível.

The Silent History é um app (disponível para iPhone e iPad) projeto de Eli Horowitz, ex-editor chefe da revista americana McSweeney’s – especializada em publicar textos literários  – que tenta “reinventar o livro” ou, pelo menos, experimentar um pouco com novas formas de contar histórias. Para isso, ele utiliza duas frentes: uma série de relatos diários, com diversos personagens e recortes espalhados por locais do território americano.

Infelizmente, a primeira leva de histórias só poderá ser acessada se você morar nos Estados Unidos. No entanto, esse app também é uma ferramenta que pode ser utilizada por escritores para vender suas histórias utilizando essa tecnologia. Será que o mundo literário acabou de ficar mais cibernético?

Quais são os artigos mais controversos da Wikipedia (ou seriam da humanidade?)

Me deparei com esse excelente site chamado Notabilia, que criou esse infográfico interativo em formato de arbusto. Cada ramo é um artigo controverso. Conforme as pessoas discutem, opinando entre manter (Keep) ou deletar (Delete) cada artigo, o site analisa e demonstra o resultado utilizando um algoritmo que desenha os ramos baseado no tempo de discussão (anos, meses, etc), e na quantidade de keepsdeletes. Vamos entender como isso funciona? Continuar lendo

Speed Racer, um dos primeiros animes a ser exibido no Brasil, completa 45 anos

Nem todo mundo sabe, mas bem antes do fenômeno Cavaleiros do Zodíaco, em meados dos anos 90 que mudou a história dos animes no Brasil, outro desenho japonês já havia feito bastante sucesso por aqui. Há 45 anos o piloto Speed Racer (Go Mifune, no original) e seu Mach 5 – nome um tanto quanto pretencioso para um carro de corrida que chegava a um pouco mais de 300km/h* – eram adaptados e se tornaram uma série em desenho animado.

O mangá, assim como o título original do anime, se chama Mach Go Go Go e foi criado por Tatsuo Yoshida. A partir do sucesso do quadrinho, Yoshida e seus irmãos criaram a Tatsunoko Studios, que produziu a versão animada de Mifune e sua equipe a partir de 1967.

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É um filho bastardo e genial: Gone with the blastwave

– Certo, na verdade eu espero que dois ou três caras sobrevivam esse mês;
– Cale a boca e proteja-se.

Esta é Gone with the blastwave.

Eu descobri essa história em quadrinhos (ou webcomic, se preferir esse termo) faz um ano e meio, mais ou menos. Acabei lendo ela toda de uma vez só – um feito até comum pra mim, quando o material não é tão extenso. Descobri ao procurar conteúdo extra para um jogo chamado Cortex Command, e achei os bonecos simpáticos. No entanto, até hoje me parece uma obra fantástica. É engraçado, então, que ela tenha sido completamente abandonada pelo seu criador, o finlandês Kimmo Lemetti.

A história é genérica – mundo pós-apocalíptico dominado pela guerra – os personagens são humoristicamente planos – dois psicopatas que se odeiam, basicamente – e a história acaba nunca chegando à lugar algum. E mesmo assim, é como se o autor conseguisse criar uma paródia extremamente envolvente, ácida e cheia de pequenas reflexões sobre a futilidade humana sem realmente se esforçar.

Seu blog não é atualizado desde junho do ano passado. O quadrinho? Às vezes é mensal, outras bimestral e por aí vai. Lemmeti é um artista de mão cheia e, apesar de sua auto-proclamada dificuldade em desenhar fisionomias, demonstra uma capacidade sobre-humana de contar piada à partir da desgraça. E, apesar desse abandono e reclusão, ainda considera terminar a história até 2015. Parece estranho, mas acredito que ele vai concluir esse trabalho até lá.

Gone with the blastwave é como o punk rock se sente quando você começa a perguntar à seus criadores. Ninguém admite tal feito hoje em dia, virou um filho bastardo, uma vergonha bater no peito e falar “eis a minha criação”. E, se tratando de um humor tão obscuro, imagino que seja melhor assim mesmo. Certas criações devem ser renegadas para florecer.

[O blog Virtualidade Latente pode até parecer que está na mesma vibe do Gone with the blastwave, mas a verdade é que planejo muitos posts ainda por vir, só está me faltando tempo e motivação; Não quer dizer que eu vá abandoná-los por meses à fio, mas certa paciência é necessária]

Alguém entende o (desenvolvedor de RPGs) Steve Jackson?

Hoje me deparei com uma postagem do blog Não Intendo (reproduzida em miniatura ao lado), que me deixou especialmente sorridente. O jogo de cartas Illuminati, da Steve Jackson Games, não foi o único controverso, mas certamente o que mais desenvolveu alguma inquietação dos pró-conspiração-global-que-vai-matar-a-humanidade por coincidências como essa, ou por fazer referências às organizações, seitas e clubes secretos e/ou exclusivos que existem mundo afora.

As regras do jogo são bem simples, cada jogador está no papel de uma organização secreta que luta contra outras pelo controle global. Para isso, usam-se essas cartas que aumentam sua influência enquanto minam o resto dos jogadores. Até aí, Banco Imobiliário já fazia isso faz tempo, e ainda é mais popular.

Mas a verdade é que o jogo, além de baseado na série de livros Illuminatus, sempre foi mais uma paródia com doses de humor negro das teorias conspiracionistas do que qualquer coisa séria. De fato, os próprios prédios mostrados na figura nem parecem ter sido inspirados nas torres gêmeas, visto que são bem mais baixos.

No entanto, via de regra, existe uma tentativa grande de ver o controverso onde não existe, e a área 51 é um ótimo exemplo. A base, que foi por muitos anos reduto de mistérios e lendas sobre alienígenas, revelou-se faz algum tempo uma base de armas experimentais. Quando as pessoas começaram a dizer que haviam alienígenas por lá, o exército americano – sabiamente, eu diria – fingiu desconversar, justamente para que a mística criada em torno do lugar afastasse os Soviéticos e, de quebra, acabaram criando um gênero de ficção-científica – bem bobo, aliás – que dura bastante bem até hoje.

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Ouça todo o terror de Lovecraft em audiolivros nacionais (grátis)

Howard Phillip Lovecraft foi um escritor particularmente prolífico no início do século XX, que morreu cedo e deixou órfãos uma quantidade imensa de amantes da literatura de terror. No entanto, sua obra marcou para sempre os gêneros do terror e da ficção-científica, apesar do reconhecimento ter sido póstumo.

Nos últimos meses, sabe-se lá por quê, uma série de ótimos podcasts acabaram chegando à meus ouvidos sobre o escritor e sua obra. De fato, os mais interessantes foram o apresentado pelo Marcelo Dior, no Vozes da Terceira Terra, e o papo mais descontraído do Jovem Nerd – que eu considero já conhecido por todos.

Além disso, na tentativa de encontrar uma imagem para ilustrar esse post, acabei tropeçando em uma história em quadrinhos gratuita baseada em um conto de Lovecraft, que eu não sei se é boa mas pode valer à pena – e de graça, até injeção.

Por fim, o link que estou enrolado pra dar, cortesia do sitelovecraft.com (que vai lançar um livro de contos selecionados) e de Lauriston Trindade, contos do autor em formato de áudio, pros que preferem parecer descolados no metrô fingindo que ouvem música quando na verdade estão lentamente enlouquecendo.

Cthulhu f’taghn, lembrem-se bem!