Quando Call of Duty: World at War me fez rever minha opinião sobre jogos de videogame

Call of Duty: World at War; Montagem por Mariana Rocha; Arte original: EA Games;

Nazistas são os melhores inimigos já feitos para os videogames. Dito isso, é estranho que um jogo de Segunda-Guerra me fizesse começar a questionar o uso indiscriminado dos soldados alemães morrendo em todas as histórias que se passam nesse particular momento histórico. Mais estranho ainda, que seja possível humanizar uma figura tão demonizada quanto à do racista anti-semita – que, convenhamos, nem era tão incomum na época – que planejava dominar o mundo. No entanto – talvez para demonizar outro grupo étnico, talvez para fazer alguma coisa diferente em um cenário saturado – foi em Call of Duty: World at War, que percebi que um crime de guerra é mais difícil de cometer do que parece. Continuar lendo

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O que aprendi com L.A. Noire (e por que eu escrevo sobre coisas de criança)

Montagem: Daniel Cavalcanti ; Concept arts: Chee Kin Chan, Chris De Geer, Brad Price e Stephen Davison

Eu me considero uma pessoa razoavelmente sensível. Já fiquei emocionado vendo filmes e lendo livros, chorei quando a mãe do Bambi morreu – aquela história toda. Dito isso, também sou muito interessado na violência gráfica – seja no cinema, nas histórias em quadrinhos, livros ou qualquer outra mídia. Digo isso pois geralmente sinto-me inclinado ao consumo de produções cujo tema sejam a violência – os horrores da guerra, a violência familiar, ideologias conflitantes, terrorismo – ou que sejam violentas em sua própria natureza – como filmes de ação, de terror e policiais. No entanto, não foi a violência que me atraiu para L.A. Noire, um jogo lançado pela Rockstar Games em 2011, mas sim uma antigo sonho de criança: a romântica vida de detetive. [Aconselho acompanhamento musical para esse texto]

Pegando meu chapéu enquanto apago o último cigarro que sobrou na pequena caixa que levo no bolso do paletó, fiquei me perguntando se seria possível que meu sonho se concretizasse nessa simulação do dia-a-dia de um investigador da década de 1950. Se passando durante os negros tempos do pós-guerra, quando os Estados Unidos delineavam mudanças sociais, o governo caçava comunistas, iniciava-se a decadência de Hollywood – que só veria novamente a luz anos mais tarde – e chegavam veteranos de guerra que haviam adquirido todo o tipo de stress pós-traumático que as frentes de batalha da Segunda-Guerra Mundial criara. É um cenário bucólico, de muito jazz e poucas esperanças de um futuro melhor. Deixei minha mulher e filhos em casa… Eu não sabia o que esperar hoje, no meu primeiro dia na Homicídios. Continuar lendo