Existem vantagens em criar jogos para a web?

Certo, este post vai ser um pouco sobre desenvolver jogos. Por quê? Oras, todo o jogador no fundo gostaria de fazer seu próprio jogo, assim como todo o cinéfilo no fundo queria ser cineasta. Portanto, vamos entrar em um campo levemente fora da minha zona de conforto e falar um pouco sobre desenvolver jogos na web.

No vídeo acima, você pode assistir uma interessante palestra do Paul Bakaus, um proeminente desenvolvedor web que criou o jQuery UI. jqUI é um conjunto de ferramentas de usabilidade para desenvolver sites. Durante a palestra, Bakaus ensina um pouco do que ele aprendeu desenvolvendo sua engine para criar jogos usando HTML5, CSS3 e Javascript – um monte de linguagens de programação e estilo que usamos hoje para criar sites maneiros que só funcionam nos navegadores mais avançados da internet. Mas será que realmente queremos jogos para a web? Continuar lendo

The Silent History: Como usar o espaço urbano para contar histórias

Existem muitas maneiras de contar histórias hoje em dia. No entanto, o que são histórias se não momentos e fragmentos de nossas vidas que cortamos e formatamos para apresentar aos nossos ouvintes? Contar histórias é vivenciar e repassar experiências. Mas, e se você pudesse visitar determinado lugar que serviu de inspiração para um contador de histórias? E se a única maneira de experimentar essa história fosse indo até essa fonte de inspiração? Ainda bem que, com a tecnologia de localização global dos smartphones de hoje isso é possível.

The Silent History é um app (disponível para iPhone e iPad) projeto de Eli Horowitz, ex-editor chefe da revista americana McSweeney’s – especializada em publicar textos literários  – que tenta “reinventar o livro” ou, pelo menos, experimentar um pouco com novas formas de contar histórias. Para isso, ele utiliza duas frentes: uma série de relatos diários, com diversos personagens e recortes espalhados por locais do território americano.

Infelizmente, a primeira leva de histórias só poderá ser acessada se você morar nos Estados Unidos. No entanto, esse app também é uma ferramenta que pode ser utilizada por escritores para vender suas histórias utilizando essa tecnologia. Será que o mundo literário acabou de ficar mais cibernético?

O que aprendi com L.A. Noire (e por que eu escrevo sobre coisas de criança)

Montagem: Daniel Cavalcanti ; Concept arts: Chee Kin Chan, Chris De Geer, Brad Price e Stephen Davison

Eu me considero uma pessoa razoavelmente sensível. Já fiquei emocionado vendo filmes e lendo livros, chorei quando a mãe do Bambi morreu – aquela história toda. Dito isso, também sou muito interessado na violência gráfica – seja no cinema, nas histórias em quadrinhos, livros ou qualquer outra mídia. Digo isso pois geralmente sinto-me inclinado ao consumo de produções cujo tema sejam a violência – os horrores da guerra, a violência familiar, ideologias conflitantes, terrorismo – ou que sejam violentas em sua própria natureza – como filmes de ação, de terror e policiais. No entanto, não foi a violência que me atraiu para L.A. Noire, um jogo lançado pela Rockstar Games em 2011, mas sim uma antigo sonho de criança: a romântica vida de detetive. [Aconselho acompanhamento musical para esse texto]

Pegando meu chapéu enquanto apago o último cigarro que sobrou na pequena caixa que levo no bolso do paletó, fiquei me perguntando se seria possível que meu sonho se concretizasse nessa simulação do dia-a-dia de um investigador da década de 1950. Se passando durante os negros tempos do pós-guerra, quando os Estados Unidos delineavam mudanças sociais, o governo caçava comunistas, iniciava-se a decadência de Hollywood – que só veria novamente a luz anos mais tarde – e chegavam veteranos de guerra que haviam adquirido todo o tipo de stress pós-traumático que as frentes de batalha da Segunda-Guerra Mundial criara. É um cenário bucólico, de muito jazz e poucas esperanças de um futuro melhor. Deixei minha mulher e filhos em casa… Eu não sabia o que esperar hoje, no meu primeiro dia na Homicídios. Continuar lendo

VL : Cobertura – Cine-debate durante o ENEArte 2012 / Jogue o Duplo e HU

Durante o Encontro Nacional de Estudantes de Arte (ENEArte) desse ano, estão acontecendo ciclos de debates e palestras sobre diversos assuntos ligados ao mundo das artes, desde performances até filmes, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Eu acabei cobrindo o trabalho apresentado pela minha namorada, a graduanda Mariana Rocha, que fez uma dupla com a também graduanda Nathalie Tesch. As duas criaram a proposição Jogue o duplo, onde convidam outros alunos e visitantes a criar e jogar seu próprio “duplo” – uma espécie de escultura feita de plástico moldada no próprio corpo – ao invés de jogar a si mesmo, trazendo à tona a discussão sobre o suicídio e a depressão. A proposição conta com um vídeo, que foi mostrado antes do debate começar.

Ao lado da dupla, a doutoranda e fotógrafa Joana Traub Csekö, que co-produziu o documentário HU, focado na história do edifício em que o hospital universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ficava. Durante muito tempo, metade do edifício permaneceu interditado, até ser demolido no ano passado. Ambas, a dupla de graduandas e a doutoranda, discutiram a relação da arquitetura com a vida cotidiana, tema recorrente nas duas obras.

[Créditos musicais: Gnossiene 1, composto por Erik Satie, cortesia do intérprete Nikolay_G]

[ATUALIZAÇÃO]
Essa é a gravação do dia 26/07, onde Mariana Rocha e Nathalie Tesch continuaram a discussão após a exibição de alguns curtas.

Seja o aventureiro-capitão em Epicsplosion

desenho de Tauhid Bondia, todos os direitos reservados

http://www.epicsplosion.com

Esse é um ótimo quadrinho que pega emprestado a linguagem dos “Escolha sua aventura” para contar muitas histórias, dependendo de suas escolhas. Grande parte dessas escolhas levam à situações muito excêntricas e cômicas, mas sem muito objetivo. No final, vale o experimento pela jornada e não pelo destino.

E, se você se interessa por esse tipo de coisa, o criador do site criou uma bela ferramenta de histórias colaborativas na web, a Epicsploitation, onde VOCÊ pode contribuir com histórias de outras pessoas e vice-versa. É como um daqueles jogos de contar histórias em acampamento, só que anônimo e em escala global. Isso significa que, automaticamente, está cheio de trolls.

Mas existem outras experiências do tipo por aí.

Escolha sua aventura nessa wiki

Só compartilhando pois ainda não pude explorar muito, mas dêem uma olhada no Choose Your Adventure. É um site em formato de wiki, onde você pode ler trabalhos de ficção interativa. O gênero foi popularizado por jogos como Zork, da extinta Infocom, e Burocracy, escrito pelo Douglas Adams (da série Mochileiro das Galáxias). Em breve, um histórico desse estilo interessantíssimo de contar histórias, onde a revolução informática ressaltou a potencialidade do texto interativo, e como a própria web foi influenciada por ele.

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AH! Se quiserem entrar mais ainda de cabeça nisso, o IF Archive é uma boa pedida. Se alguém conseguir achar um portal de histórias interativas desse tipo em português, sou todo ouvidos.