Existem vantagens em criar jogos para a web?

Certo, este post vai ser um pouco sobre desenvolver jogos. Por quê? Oras, todo o jogador no fundo gostaria de fazer seu próprio jogo, assim como todo o cinéfilo no fundo queria ser cineasta. Portanto, vamos entrar em um campo levemente fora da minha zona de conforto e falar um pouco sobre desenvolver jogos na web.

No vídeo acima, você pode assistir uma interessante palestra do Paul Bakaus, um proeminente desenvolvedor web que criou o jQuery UI. jqUI é um conjunto de ferramentas de usabilidade para desenvolver sites. Durante a palestra, Bakaus ensina um pouco do que ele aprendeu desenvolvendo sua engine para criar jogos usando HTML5, CSS3 e Javascript – um monte de linguagens de programação e estilo que usamos hoje para criar sites maneiros que só funcionam nos navegadores mais avançados da internet. Mas será que realmente queremos jogos para a web? Continuar lendo

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Se o jogo toma as rédeas e você se sente ofendido, com quem você reclama?

Se você procurar bem – ok, não tão bem assim – vai encontrar um certo mod de Half-Life 2, totalmente gratuito, chamado The Stanley Parable. Se você ainda não jogou, sugiro que a situação seja remediada o mais rápido possível, especialmente por que ele pode ser terminado em menos de meia hora. Se jogou, vai se lembrar de que trata-se de um jogo em primeira pessoa, onde um narrador lhe ludibriava repetidamente, tentando convencê-lo de que você tinha a liberdade total para fazer o que quisesse, o que era uma completa mentira.

Esse jogo levantou – diabos, foi tão pouco falado que ainda levanta – uma imensa discussão sobre narrativa, a falta de narrativa, a ilusão que os jogos tentam passar de oferecer escolhas, a desesperança que temos quando deixamos o manto do herói e somos transformados em meras marionetes de uma narrativa – o que, se pensarmos bem, sempre acontece em certa medida –  e mais um monte de outros sentimentos e loucuras que batem na nossa mente quando somos apresentados à uma proposta completamente diferente em um meio ao qual estamos acostumados. The Stanley Parable parece muito simples, mas é inegavelmente complexo em sua simplicidade e garante uma experiência única para cada pessoa. Foi difícil engolir certas verdades, mas me tocou profundamente na época.

No entanto, nem todos entendem uma mensagem assim, então o estúdio responsável – acredito que se trata de um cara só – resolveu fazer piada com as respostas que receberam, chamando o incrível personagem “The Narrator” – e seu incrivelmente talentoso ator – para responder aos comentários. O resultado é tragicômico:

No vídeo, o narrador responde ao email de Raphael – que, por algum motivo, eu acho que é brasileiro, posso estar redondamente enganado. No email, o rapaz fala sobre como os jogos são sobre “sentir-se poderoso” e “fazer coisas que eu não posso fazer na vida real”, até chegar na máxima de que “no final do jogo, achei que não cumpri nada relevante”. Todos os argumentos seriam válidos se o jogo estivesse tentando cumprir qualquer objetivo parecido com o que temos como jogos eletrônicos nos dias de hoje. Ou seja: se The Stanley Parable estivesse preocupado em desenvolver uma narrativa clássica, focado em entreter seu jogador e deixá-lo satisfeito, todos os argumentos valeriam. O problema é que o jogo não está preocupado com isso, ele quer te deixar inquieto e pensativo, quer te mostrar alguma coisa – que, no final, só você vai saber o que é – que não é explícita, que não está te mostrando o caminho fácil, por que é isso que a arte precisa fazer conosco. Se você quer que as pessoas pensem, não adianta entregar um “grande manual de regras”, elas não vão ler isso. Pior: elas podem ler e não apreender conhecimento nenhum. Criar uma experiência pessoal e imaginativa é tão errado assim?

Enfim, vale a inscrição.

[There is a google translated version in english for foreigners, it’s badly translated though: http://tidypub.org/ohvSs]

Seriam os jogos metáforas para cada situação de nossas vidas?

Screenshot de TDCreeps, um Tower Defense online

A atriz Lisa Foiles escreveu um artigo muito interessante no Kotaku americano sobre como nossas experiências com jogos eletrônicos podem ser comparadas com as maneiras como agimos em determinadas situações.  O artigo intitulado “Jogos de tower defense como uma metáfora psicológica” (Tower Defense Games As a Psychological Metaphor) faz essa comparação com um tipo de jogo muito comum nos portais de jogos em flash, como o Newgrounds e o Kongregate. A autora primeiro conta sobre uma condição psicológica faz a vida dela um pouco mais difícil: ela tem uma paranóia constante com a percepção que as pessoas têm sobre sua imagem – um problema até comum atualmente – e fica nervosa em demonstrar determinados comportamentos pelo velho pavor que persegue muitos adolescentes. Afinal, “o que vão pensar de mim“? Continuar lendo

Você pode invadir computadores em Uplink, isso não é demais?

Acho que todo mundo já teve a fantasia de invadir sistemas. Hoje, além de facilitadores grandes – como a presença de ótimas fontes de informação por toda a rede – você tem o mundo dos jogos eletrônicos para te ajudar. Uplink (disponível para Mac e PC) é um jogo antigo, mas ainda impressiona. Nele, você é um hacker, acessando um Gateway em determinado ponto do mundo, traçando caminhos por servidores, invadindo computadores, roubando informações, alterando dados e, basicamente, tornando a vida digital um grande inferno para todo mundo. É muito divertido.

E para esquentar um pouco esse post, já tem uma versão para iPad, o que é legal pra quem tem o tablet da Apple.

E, para compensar meu desaparecimento nas últimas semanas, fiquem com essa ótima faixa do Sounds from Abyss, que acredito ter sido inspirado na trilha de Uplink, mas posso estar redondamente enganado.