Ouvindo na terça: um monte de versões de músicas de videogame.

Eu queria mostrar um pouco do excelente talento da usuária lara6683, uma australiana que costuma produzir excelentes versões de trilhas famosas de jogos de videogame, seriados e filmes. Nos vídeos acima, aproveito para relembrar uma brincadeira muito interessante de de Koji Kondo, criador da trilha sonora de Zelda. Alguns podem dizer que foi pura preguiça, mas inverter a aclamada música tema do jogo para criar uma nova música foi não só uma excelente saída, mas acabou ficando um gostinho de auto-referência em proporções que antes só víamos em doidos como o Hideo Kojima.

Enfim, dica e referência fazem um post bacana, né? E nesta quinta-feira vou ressucitar uma coluna e entrar em território desconhecido, então: fique atento, bravo leitor! Haverá atualização!

Se o jogo toma as rédeas e você se sente ofendido, com quem você reclama?

Se você procurar bem – ok, não tão bem assim – vai encontrar um certo mod de Half-Life 2, totalmente gratuito, chamado The Stanley Parable. Se você ainda não jogou, sugiro que a situação seja remediada o mais rápido possível, especialmente por que ele pode ser terminado em menos de meia hora. Se jogou, vai se lembrar de que trata-se de um jogo em primeira pessoa, onde um narrador lhe ludibriava repetidamente, tentando convencê-lo de que você tinha a liberdade total para fazer o que quisesse, o que era uma completa mentira.

Esse jogo levantou – diabos, foi tão pouco falado que ainda levanta – uma imensa discussão sobre narrativa, a falta de narrativa, a ilusão que os jogos tentam passar de oferecer escolhas, a desesperança que temos quando deixamos o manto do herói e somos transformados em meras marionetes de uma narrativa – o que, se pensarmos bem, sempre acontece em certa medida –  e mais um monte de outros sentimentos e loucuras que batem na nossa mente quando somos apresentados à uma proposta completamente diferente em um meio ao qual estamos acostumados. The Stanley Parable parece muito simples, mas é inegavelmente complexo em sua simplicidade e garante uma experiência única para cada pessoa. Foi difícil engolir certas verdades, mas me tocou profundamente na época.

No entanto, nem todos entendem uma mensagem assim, então o estúdio responsável – acredito que se trata de um cara só – resolveu fazer piada com as respostas que receberam, chamando o incrível personagem “The Narrator” – e seu incrivelmente talentoso ator – para responder aos comentários. O resultado é tragicômico:

No vídeo, o narrador responde ao email de Raphael – que, por algum motivo, eu acho que é brasileiro, posso estar redondamente enganado. No email, o rapaz fala sobre como os jogos são sobre “sentir-se poderoso” e “fazer coisas que eu não posso fazer na vida real”, até chegar na máxima de que “no final do jogo, achei que não cumpri nada relevante”. Todos os argumentos seriam válidos se o jogo estivesse tentando cumprir qualquer objetivo parecido com o que temos como jogos eletrônicos nos dias de hoje. Ou seja: se The Stanley Parable estivesse preocupado em desenvolver uma narrativa clássica, focado em entreter seu jogador e deixá-lo satisfeito, todos os argumentos valeriam. O problema é que o jogo não está preocupado com isso, ele quer te deixar inquieto e pensativo, quer te mostrar alguma coisa – que, no final, só você vai saber o que é – que não é explícita, que não está te mostrando o caminho fácil, por que é isso que a arte precisa fazer conosco. Se você quer que as pessoas pensem, não adianta entregar um “grande manual de regras”, elas não vão ler isso. Pior: elas podem ler e não apreender conhecimento nenhum. Criar uma experiência pessoal e imaginativa é tão errado assim?

Enfim, vale a inscrição.

[There is a google translated version in english for foreigners, it’s badly translated though: http://tidypub.org/ohvSs]

Jane McGonigals quer que o mundo jogue mais

Nessa excelente apresentação, a pesquisadora Jane McGonigals fala sobre o proveito que pode ser retirado do ato de jogar. Segundo a pesquisadora, os jogos proporcionam o ambiente ideal para a resolução de problemas, ajudando na articulação de atividades intelectuais de forma ágil e precisa.

Vale a pena ver e tirar suas próprias conclusões.

[via TED]

Paródia de Jogos Vorazes critica jogo político americano

Usando o elefante e o asno, símbolo dos republicanos e democratas americanos. Esse vídeo mistura uma bem humorada paródia com o título do recente fenômeno adolescente – o filme Jogos Vorazes – para falar de uma coisa séria: ajudar populações famintas.

Além do non-sense e do humor físico apurado, é interessante ver paródias como uma forma de interpretar e dialogar com textos atuais. A publicidade raramente explora esse tipo de linguagem – seja por medo ou recato – que certamente chama bastante atenção.